07 setembro 2008

Os jovens e a missão

Para todos os meus amigos e, em especial, para o grupo de cerca de trinta jovens da minha comunidade paroquial, que se encontra em missão algures numa aldeia em Portugal, onde foram levar um pouco do seu amor, da sua alegria, junto dos irmãos que vivem mais isolados e tristes, e mesmo doentes, em jeito de homenagem, deixo a letra de um cântico que algumas vezes entoam nas celebrações dominicais e que aprecio bastante:


"O Teu sopro achou-me dormindo na minha jangada,
Pois vieste como terna brisa
pela madrugada.
Acordei e embalei-me no
vento em que não me prendias.
E sorrindo entreguei-Te a
vontade de todos os dias.

De repente a jangada cresceu
e tornou-se cidade,
Já pequena demais para
acolher a gente que a invade.
Nas mãos sentimos
Teu fogo abrasar corações.
Tua palavra é esperança que em nós
se transforma em canções.

Tu me embalas quando me persegues
E me impeles mesmo
enquanto me recebes.
Tu me embalas no que me concedes
E me guias para onde me precedes.

Já não posso tranquilo dormir
nem parar um momento.
No caminho impossível demais,
se vai contra o Teu vento.
No Teu mar aprendi que ser
rico é dar o que sou,
Pois recebo o que dou,
se me entrego no que em mim ficou”.

Autor: Desconhecido
Publicado “in Livro de Cânticos da Igreja Paroquial de
A.M.M.M.

30 agosto 2008

O choro da acácia


Olho pela janela da sala onde me encontro neste momento e os meus olhos já não descansam no verde da acácia, que com a sua majestosa sombra protegia este espaço do calor intenso nos dias de estio mais rigoroso. Parecia uma cortina verde, enorme, a proteger-nos e a envolver-nos, como se estivéssemos em plena floresta!
O próximo Inverno também vai ser diferente sem a acácia que eu tanto amava, que depois de uma boa chuvada, ficava linda, com as suas pequenas flores amarelas, que pareciam estrelinhas a brilhar, por entre as ramagens ainda molhadas pelas gotas de água da chuva, acabada de cair.
Sim, junto à minha casa existia uma acácia, um pinheiro manso e uma nespereira.
Isto pode parecer estranho, mas é a pura verdade!
Tinham sido plantadas há cerca de trinta anos em“dias mundiais da árvore”, com muito carinho, por grupos de casais vizinhos que com seus filhos, muito pequeninos à época, se juntavam nesses dias, para dessa forma os sensibilizarem da importância da plantação de árvores para preservar o meio ambiente e também contribuir para o alindamento da paisagem envolvente, um pouco inóspita à época.
Assim, no nosso pequeno jardim, fui vendo crescer o pinheiro, a acácia e a nespereira!
A acácia e o pinheiro tiveram um triste fim.
Alguém achou que as árvores estavam a prejudicar este local e que o prédio de habitação poderia ter problemas causados pelas suas raízes!
E vai daí há cerca de dois meses cortaram a acácia e o pinheiro manso. Restou a nespereira para nosso consolo!
Agora poderão imaginar como ficou este espaço…como ficou a minha alma!
Todos os dias quando passo ao lado do grande cepo da acácia sinto uma enorme angústia invadir todo o meu ser!
E a minha alma grita: - como foi isto possível ?
Sim, foi possível e aconteceu numa vila dos arredores de Lisboa, em pleno século XXI.
Agora, a acácia como que querendo renascer, quem sabe talvez resistir, brota rebentos por todo o lado.
Ainda não sei o desfecho desta mutilação...
...mas que a acácia chorou, chorou.
Ailime, 30 de Agosto de 2008

23 agosto 2008

A minha reflexão para este Domingo


Uma pérola que encontrei, que ofereço aos meus amigos, neste fim de semana:

"Para chegares a saborear tudo,
não queiras ter gosto em coisa alguma.
Para chegares a possuir tudo,
não queiras possuir coisa alguma.
Para chegares a ser tudo,
não queiras ser coisa alguma.
Para chegares a saber tudo,
não queiras saber coisa alguma.
Para chegares ao que não gostas,
hás-de ir por onde não gostas.
Para chegares ao que não sabes,
hás-de ir por onde não sabes.
Para vires ao que não possuis,
hás-de ir por onde não possuis.
Para chegares ao que não és,
hás-de ir por onde não és.

Modo de não impedir o tudo:


Quando reparas em alguma coisa,
deixas de arrojar-te ao tudo.
Porque para vir de todo ao tudo,
hás-de negar-te de todo em tudo.
E quando vieres a tudo ter,
hás-de tê-lo sem nada querer.
Porque se queres ter alguma coisa em tudo,
não tens puramente em Deus teu tesouro. "


Pensamentos de São João da Cruz extraídos do
livro "O Amor não cansa nem se cansa" .

Etiquetas:

Pensamentos, reflexões, amor, dádiva

19 agosto 2008

Esboço de vida




Minha vida em pedaços vou traçando,
nas pedras e areias das margens
dos rios, por mim inventados.

Ouço o suave bater das águas,
no entardecer do Outono,
em que vivo o avançar da idade.

O crepúsculo acerca-se
e, mansamente
vai-se instalando em mim.

Tento libertar-me e corro
desenfreada, pelas margens dos rios,
por mim inventados.

E, sob o sol ainda ardente,
teimo em aprisionar os raios da luz,
que ainda me cingem a Ti.

15 agosto 2008

O Céu

"O céu colabora na nossa vida íntima, vive connosco, acompanha-nos na mudança do nosso ser; é um confidente, é um consolador; invoca-se, fala-se-lhe. Olhar o céu é, nos nossos climas, uma ocasião de viver: instintivamente, voltamos para ele os nossos olhos. O poeta meridional, cheio de imagens e de cores, contempla-o; o burguês trivial admira-o; pela manhã, abre-se a janela e vai-se ver o céu! É um íntimo sempre presente na nossa vida; o nosso estado depende dele: enevoado, entristece-nos; claro e lúcido, alegra-nos; cheio de nuvens eléctricas, enerva-nos. É no Céu que vemos Deus... E mesmo despovoado de deuses, é ainda para o homem o lugar donde ele tira força, consolação e esperança. A paisagem é feita por ele, a arte imita-o, os poetas cantam-no. "

De: Eça de Queirós, in "O Egipto"

10 agosto 2008

A Descoberta de Deus...


A minha reflexão para hoje, Domingo, dia do Senhor!

"Depois de ter saciado a fome à multidão,
Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco
e a esperá-l’O na outra margem,
enquanto Ele despedia a multidão.
Logo que a despediu,
subiu a um monte, para orar a sós.
Ao cair da tarde, estava ali sozinho.
O barco ia já no meio do mar,
açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite,
Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar,
assustaram-se, pensando que fosse um fantasma.
E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo:
«Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor,
manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!» – disse Jesus.
Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas,
para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se,
gritou: «Salva-me, Senhor!»
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o.
Depois disse-lhe:«Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
Logo que saíram para o barco, o vento amainou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus,
e disseram-Lhe:

«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».


Do: Evangelho S. Mateus 14,22-33
In "Bíblia Sagrada"

02 agosto 2008

Tempos...


Do trabalho feito suor
Na modernidade dos tempos
Minha mão, meu braço
Estão rígidos de dor
Olho os jovens, com o “mouse”
Bem colado em suas mãos
E penso como é breve
O tempo que nos separa
Em seus rostos me revejo
Com seus semblantes tristonhos
Num frenesim de desdita
E num mundo sem sonhos
E o que outrora era prazer
Agora tornou-se rotina
Na violência imposta
Pelos donos do poder

27 julho 2008

A Pérola (...porque hoje é Domingo)

Para nossa reflexão:


"- O Reino do Céu é como um tesouro escondido num campo, que certo homem acha e esconde de novo. Fica tão feliz, que vende tudo o que tem, e depois volta, e compra o campo.



- O Reino do Céu é também como um comerciante que anda procurando pérolas finas. Quando encontra uma pérola que é mesmo de grande valor, ele vai, vende tudo o que tem e compra a pérola.



-O Reino do Céu é ainda como uma rede que é jogada no lago. Ela apanha peixes de todos os tipos. E, quando está cheia, os pescadores a arrastam para a praia e sentam para separar os peixes: os que prestam são postos dentro dos cestos, e os que não prestam são jogados fora.



No fim dos tempos também será assim: os anjos sairão, e separarão as pessoas más das boas, e jogarão as pessoas más na fornalha de fogo. E ali elas vão chorar e ranger os dentes de desespero. Então Jesus perguntou aos discípulos:



- Vocês entenderam essas coisas? - Sim! - responderam eles. Jesus disse: - Pois isso quer dizer que todo mestre da Lei que se torna discípulo no Reino do Céu é como um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas. "



"Do Evangelho Mt 13, 44-52"