07 dezembro 2008

Partilha


Hoje, partilho convosco um tema para meditação que me foi proporcionado num retiro, de onde cheguei há pouco e que deixo para reflexão, neste Domingo:
Este tema é um comentário de S. Agostinho ao Salmo nº 84 (85).


“Pratica a justiça e encontrarás a paz, para que se abracem a paz e a justiça. Se não amares a justiça, não encontrarás a paz. A justiça e a paz amam-se uma à outra, e abraçam-se. Quem pratica a justiça encontra a paz que abraça a justiça. São duas amigas.
Talvez queiras uma, mas não praticas a outra. Não há quem não queira a paz, mas nem todos querem praticar a justiça. Interroga os homens todos: queres a paz? Com uma só voz te responderá todo o género humano: sonho com ela, desejo-a, quero-a, amo-a. Ama também a justiça, porque a justiça e a paz são duas amigas e abraçam-se. Se não amares a amiga da paz, a própria paz não te amará e não virá a ti.
Não é difícil amar a paz. Qualquer perverso a deseja, porque a paz é uma coisa boa. Mas pratica igualmente a justiça, porque a justiça e a paz não se combatem uma à outra, mas abraçam-se. Porque entras em litígio com a justiça? Ela diz-te: não roubes, e tu não escutas; não cometas deslealdades e tu não queres ouvir; não faças a outrem o que não queres que te façam a ti; não fales a um outro como não gostarias que te falassem a ti.
És inimigo da minha amiga, diz a paz: porque me procuras? Sou amiga da justiça, e quando encontro um inimigo da minha amiga, não me aproximo dele. Queres encontrar a paz? Pratica a justiça e não a procurarás muito tempo, porque ela virá a correr para ti, a fim de abraçar essa amiga”.
Imagem obtida na net.

30 novembro 2008

Por amor

Quando a semente morre por amor,
quando uma flor cai por amor
é porque na sombra dessa terra
nasce uma flor que será mais forte.

No silêncio de um fundo cala-se a palavra,
como na pintura que se apoia em nada falas Tu.

Calas-te e sentes palpitar,
amas e sentes o infinito
sofres, anulas a dor,
sapiência que nasce do amor.

No silêncio de um fundo calas-te,
como na pintura que se apoia em nada falas Tu
.

De: Autor desconhecido
“In: Livro de Cânticos da Igreja Paroquial
de A.M.M.M.”

Imagem obtida na Net

23 novembro 2008

Solenidade de Cristo Rei



Os cristãos celebram neste Domingo a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

Deixo para nossa reflexão o resumo das leituras deste domingo.
Estas leituras falam-nos do Reino de Deus (esse Reino de que Jesus é rei). Apresentam-no como uma realidade que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história (através do amor) e que terá o seu tempo definitivo no mundo que há-de vir.

A primeira leitura utiliza a imagem do Bom Pastor para apresentar Deus e para definir a sua relação com os homens. A imagem sublinha, por um lado, a autoridade de Deus e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história; e sublinha, por outro lado, a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo.



O Evangelho apresenta-nos, num quadro dramático, o “rei” Jesus a interpelar os seus discípulos acerca do amor que partilharam com os irmãos, sobretudo com os pobres, os débeis, os desprotegidos.
A questão é esta: o egoísmo, o fechamento em si próprio, a indiferença para com o irmão que sofre, não têm lugar no Reino de Deus.
Quem insistir em conduzir a sua vida por esses critérios ficará à margem do Reino.

Na segunda leitura, Paulo lembra aos cristãos que o fim último da caminhada do crente é a participação nesse “Reino de Deus” de vida plena, para o qual Cristo nos conduz. Nesse Reino definitivo, Deus manifestar-Se-á em tudo e actuará como Senhor de todas as coisas."


In "Agência Ecclesia"
Imagens obtida na Net

16 novembro 2008

A magia do Outono


É Outono. As folhas douradas dos plátanos que existem na minha rua vão caindo cada vez com mais intensidade e como estrelas cadentes abarrotam de sonhos os recantos envolventes.
Quando passo tento não as pisar, porque ainda recordo nelas toda a exuberância do viço que brotavam, quando nos dias quentes de Verão nos refrescavam com as suas majestosas sombras.
O Outono é uma estação mágica! Tem cores e cheiros que nos envolvem e nos preparam para receber o tempo frio que nos faz recolher em nós!
Já se pressente o tempo de Inverno embora um sol agradável teime amorosamente em nos afagar.
Este tempo lembra-me a minha infância onde não havia plátanos, mas onde uma enorme lareira em casa dos meus avós já crepitava e onde eu e as minhas duas irmãs nos gostávamos de “enroscar”, ouvindo histórias e observando o movimento das labaredas, para mim fascinante! Volta e meia lá estalava um pauzinho que até fazia lembrar um pequeno fogo de artifício.
Eram uma festa, aqueles serões em casa dos avós, onde docemente íamos adormecendo aquecidas pelo calor da lareira e pela ternura que nos envolvia.
Ouço um pequeno ruído a bater na janela da sala onde me encontro e reparo que algumas gotas de chuva começam a cair!
É o Inverno que se faz anunciar! Daqui a um mês será Natal.
Uma vida nova vai florir.
Lá fora as folhas dos plátanos continuam a cair empurradas pelo forte vento que teima em ficar
.


Ailime,
Imagem obtida na Net
16.11.2008

09 novembro 2008

Quero falar-Te



Hoje, Senhor, quero falar-Te
Dos que vivem sós e sem esperança,
Dos tristes e desprezados,
Dos que já não sabem sorrir.

Hoje, Senhor, quero falar-Te
Dos jovens atormentados
Por sonhos arquitectados
E com suas vidas suspensas.

Hoje, Senhor, quero falar-Te
Das crianças e desalojados,
Vítimas de guerras infindas,
Na desumanidade que impera.

Hoje, Senhor, quero falar-Te
Dos presos e perseguidos,
Tantas vezes inocentes,
Subjugados a prisões inúteis.

Hoje, Senhor, quero falar-Te
Sim, quero falar-te de tantas coisas,
Que apenas Te vou revelar:

Amo-Te Senhor.
Tenho confiança em Ti, Senhor.
Espero em Ti, Senhor!


Ailime
em 09.11.2008
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01 novembro 2008

Comemoração do Dia de Todos os Santos

Os Santos, tendo atingido pela multiforme graça de Deus a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no Céu, o louvor perfeito e intercedem por nós. A Igreja proclama o mistério pascal, realizado na paixão e glorificação deles com Cristo, propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo; e implora, pelos seus méritos, as bênçãos de Deus. Segundo a sua tradição, a Igreja venera os Santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens. É que as festas dos Santos proclamam as grandes obras de Cristo nos Seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar» (Constituição Litúrgica, n.º 104 e 111).


EVANGELHO S.Mt 5, 1-12a

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo:


«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.


Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra.


Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.


Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.


Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.


Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.


Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.


Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.

Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».





In "Agencia Ecclesia-Igreja Católica em Portugal
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25 outubro 2008

Entardecer


O entardecer do Outono irrompe,
Com as árvores desnudadas
Nos campos dourados que habitam
Em mim, contigo a meu lado.

O banco do jardim, deserto de sonhos,
Aguarda nossos corpos cansados
Para nele repousarmos
As dores, do amor idealizado.

Um pássaro esvoaça e assusta-se,
Com as bengalas do tempo com
Que arrastamos as migalhas
Dos sonhos, que não abraçámos.

19 outubro 2008

A solidão dos idosos

Observo a solidão e o medo estampados nos rostos daqueles idosos tão frágeis, que por vezes parecem folhas de papel bem fininhas, que uma leve brisa a qualquer momento pode levar! São seres humanos que passam os seus dias fechados entre quatro paredes, com os seus olhares puros de crianças que já foram, transparentes, como que a pedir socorro, perdidos no tempo e no espaço! Muitos pensam que ainda estão nas habitações onde coabitaram com os seus familiares! Confundem-se uns nos outros acreditando que a pessoa sentada a seu lado poderá ser o marido já falecido ou até um seu irmão distante! Nestes locais onde coabitam pessoas ainda lúcidas, embora frágeis fisicamente, a rotina é deveras sufocante! É tempo de levantar, tomar banho, pequeno-almoço, uma pequena ajuda para as suas pequenas deslocações pela casa. Rapidamente aproxima-se a hora do almoço, do lanche, do jantar e ei-los rapidamente todos na caminha, bem cedo, para que o pessoal auxiliar se despache, porque as suas vidas continuam lá fora. Os seus familiares aguardam-nos e é preciso descansar daquela labuta! Não, não é nada fácil ajudar corpos quase inertes nas suas necessidades básicas. A maioria destas pessoas vive de uma maneira tão resignada que comove! É raro ouvir-se um queixume! Espanta-me a fé que possuem e o modo como encaram estas novas etapas, talvez derradeiras, das suas vidas! Neste mundo, quase irreal, muitas destas pessoas não são visitadas! Foram ali depositadas como meros fardos e, nalguns casos, são completamente esquecidas! Depois de uma vida plena de dádiva, vivem agora completamente isoladas dos afectos daqueles que tanto amaram! São pessoas incríveis, com histórias de vida e saberes, que me deixam atónita! São pessoas a quem eu tanto quero e que me têm ensinado muito.