23 abril 2022

2º Domingo da Páscoa (Ano C)

A minha partilha deste segundo domingo da Páscoa:

A liturgia deste domingo põe em relevo o papel da comunidade cristã como espaço privilegiado de encontro com Jesus ressuscitado.

O Evangelho sublinha a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.

Referências Bíblicas
Atos dos Apóstolos 5,12-16
Salmo 117 (118)
Apocalipse 1,9-11a.12-13.17-19
Evangelho João 20,19-31






 Salmo 117 (118)

Refrão 1: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.

Refrão 3: Aleluia.

Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Aarão:
é eterna a sua misericórdia.
Digam os que temem o Senhor:
é eterna a sua misericórdia.

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria.

Senhor, salvai os vossos servos,
Senhor, dai-nos a vitória.
Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos bendizemos.
O Senhor é Deus
e fez brilhar sobre nós a sua luz.



Aleluia. Aleluia.

Disse o Senhor a Tomé:
«Porque Me viste, acreditaste;
felizes os que acreditam sem terem visto».

Evangelho  de São João 20,19-31

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu-lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão na seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou-Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu-Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»
Disse-lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos
para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,
e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

(A esta comunidade fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo hostil, Jesus transmite duplamente a paz (vers. 19 e 21: é o “shalom” hebraico, no sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança). Assegura-se, assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava: a morte, a opressão, a hostilidade do “mundo”. 

Depois (vers. 20a), Jesus revela a sua “identidade”: nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da sua entrega. É nesses sinais de amor e doação que a comunidade reconhece Jesus vivo e presente no seu meio. A permanência desses “sinais” indica a permanência do amor de Jesus: Ele será sempre o Messias que ama, e do qual brotarão a água e o sangue que constituem e alimentam a comunidade.)



Palavras para o caminho

«Se não vir…» Difícil confiança! Acreditar na palavra dos nossos irmãos que testemunham o seu encontro com o Ressuscitado? Não! Não é para mim! Somos muitas vezes irmãos gémeos de Tomé, nas nossas recusas em acreditar… E se decidíssemos ir ao encontro de um irmão, de uma irmã, de um grupo… para partilhar as nossas questões, as nossas convicções, e avançar juntos numa fé alimentada pela Palavra do Ressuscitado? Então aprenderíamos o que quer dizer: «felizes os que acreditam sem terem visto…».


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Desejo-vos  um bom domingo e 
continuação de santa Páscoa.
Com o meu abraço na paz de Cristo.
Ailime

Imagens Google

18 abril 2022

Citação do dia

 



As coisas mais doces da vida

 são as mais tranquilas... 

Uma existência feliz consiste

na tranquilidade da mente.

Cícero (106-43 AC)


Sabedoria 365

Uma citação inspiradora para cada dia

(Helen Exley)

17 abril 2022

Cristo Ressuscitou! Aleluia!

 "E porque Cristo Ressuscitou, hoje celebramos um Deus Vivo, que vive para todo o sempre."



Hoje é dia de renascer! Hoje é dia de fazer a experiência de se deixar abraçar, sem medo, por este Deus Amor.

 ALELUIA!


 Feliz e santa Páscoa!
Com o meu abraço na paz de Cristo.
Ailime


16 abril 2022

Sábado Santo - o silêncio de Deus no sepulcro



«No Sábado Santo, o dia do repouso de Deus, no qual o Senhor crucificado repousa no sepulcro. Que mistério este envolvido no silêncio de Deus. O Sábado Santo é da semana santa e do tríduo pascal o dia talvez menos meditado. Nesse dia a Igreja está em silêncio junto ao túmulo de Jesus meditando, contemplando o mistério do que aconteceu à alma de Jesus, ao Verbo incarnado durante o tempo, que está já para além do tempo, entre a morte e a ressurreição.
...........
 No Sábado Santo contemplamos o mistério profundo de Jesus Cristo como o redentor de todos os homens, a começar de Adão, reabrindo, na sua vitória sobre a morte, as portas do paraíso que o primeiro Adão com o seu pecado havia fechado:
“Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos. Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu Filho… Eu sou o teu Deus que por ti me fiz teu filho, por ti e por estes que nasceram de ti; agora digo e com todo o meu poder ordeno àqueles que estão na prisão: ‘Saí’; e aos que jazem nas trevas: ‘vinde para a luz’; e aos que dormem: ‘Despertai’…“Adormeci na cruz, e a lança penetrou no meu Lado, por ti, que adormeceste no paraíso e formaste Eva do teu lado. O meu Lado curou a dor do teu lado. O meu sono despertou-te do sono da morte. A minha lança susteve a lança que estava dirigida contra ti… Levanta-te, vamos daqui. O inimigo expulsou-te da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas no trono celeste. Foste afastado da árvore, símbolo da vida; mas Eu, que sou a vida, estou agora junto de ti. Ordenei aos querubins que te guardassem como servo; agora ordeno aos querubins que te adorem como a Deus, embora não sejas Deus. Está preparado o trono dos querubins, prontos os mensageiros, construído o tálamo, preparado o banquete, adornadas as moradas e os tabernáculos eternos, abertos os tesouros, preparado para ti desde toda a eternidade o reino dos céus” (Antiga Homilia em Sábado Santo, séc. IV).».


15 abril 2022

Sexta Feira Santa

  «É hora de noa na Terra»



"Por nosso amor, morreu o Senhor
Numa Cruz morreu o Senhor.
Recomendou dar a vida e a vida como irmãos
Em sinal de amor.

 Planearam a sua morte em silêncio,
Assustaram com gritos o povo.
E num lenho pregaram o Seu Corpo
à hora de noa, o Senhor morreu.
O Senhor morreu.

 É hora de noa na Terra,
As sirenes de alarme soaram,
Mas ninguém se dedica a acordar
E o meu irmão chora, e o meu irmão morre;
E o clamor da sua voz não nos dói.
E o meu irmão morre.

 É hora de noa na Terra,
É hora da fome e da morte,
É hora do ódio e da guerra,
É hora de noa, quando sofre o meu povo,
Quando cresce a dor e o engano,
Quando falta o amor".



"Toda a nossa glória está na Cruz
de Nosso Senhor, Jesus Cristo.
O Senhor tenha compaixão de nós
e nos abençoe."

 Autor: C. Erdozain

14 abril 2022

5ª Feira Santa

 Os cristãos são chamados, após o retiro quaresmal, a uma maior vivência do Mistério da Fé, no Tríduo Pascal: Ceia do Senhor, Paixão, Morte e Ressurreição.



« Na última Ceia, Jesus instituiu a Eucaristia e entregou-a à sua Igreja, para que, na Eucaristia, a Igreja encontrasse, até ao fim dos tempos, quando Ele vier, o memorial da sua Páscoa, isto é, da sua passagem deste mundo para o Pai, pela Morte à Ressurreição. Esta leitura é a mais antiga narração chegada até nós da instituição da Eucaristia pelo Senhor, e da sua celebração pela Igreja, neste caso, 
na Igreja de Corinto.»

“1 Cor 11, 23-26
Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do 
Senhor, até que Ele venha.”


«Nesta celebração encontramos também o rito do “lava-pés”. Jesus ao lavar os pés aos discípulos, revela o verdadeiro sentido da sua missão, que é o de Ele ser o Servo, servindo até dar a vida, em obediência ao Pai, para salvação dos homens. Foi assim que Ele amou até ao fim, e nos ensinou a fazermos o mesmo uns aos outros, como Ele fez aos seus discípulos. O lava-pés dá-nos o sentido profundo da Morte de Jesus: um serviço de amor em favor dos seus. E este sentido continua a ser-nos ainda recordado sempre que celebramos a Eucaristia.»


Fontes: Bíblia Sagrada,
Liturgia diária, Net.

11 abril 2022

Reflexão

 


Uma prova de que Deus

esteja connosco não é o facto

de que não venhamos a cair,

mas que nos levantemos

depois de cada queda.


Santa Teresa d'Avila



09 abril 2022

Domingo de Ramos (Ano C)

 A  minha partilha do Domingo de Ramos:

A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.


......................
Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
 
Referências Bíblicas:
Isaías 50,4-7
Salmo 21 (22)
Filipenses 2,6-11
Evangelho Lucas 22,14-23,56



Salmo 21 (22)
Refrão: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?
Todos os que me veem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
«Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo».

Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.

Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós, que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.




    Evangelho de São Lucas 22,14-23,56  (versão longa)

N        Quando chegou a hora,
          Jesus sentou-Se à mesa com os seus Apóstolos
          e disse-lhes:
J        «Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa,
          antes de padecer;
          pois digo-vos que não tornarei a comê-la,
          até que se realize plenamente no reino de Deus».
N        Então, tomando um cálice, deu graças e disse:
J        «Tomai e reparti entre vós,
          pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira,
          até que venha o reino de Deus».
N        Depois tomou o pão e, dando graças,
          partiu-o e deu-lho, dizendo:
J        «Isto é o meu corpo entregue por vós.
          Fazei isto em memória de Mim».
N        No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo:
J        «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue,
          derramado por vós.
          Entretanto, está comigo à mesa
          a mão daquele que Me vai entregar.
          O Filho do homem vai partir, como está determinado.
          Mas ai daquele por quem Ele vai ser entregue!»
N        Começaram então a perguntar uns aos outros
          qual deles iria fazer semelhante coisa.
          Levantou-se também entre eles uma questão:
          qual deles se devia considerar o maior?
          Disse-lhes Jesus:
J        «Os reis da nações exercem domínio sobre elas
          e os que têm sobre elas autoridade são chamados malfeitores.
          Vós não deveis proceder desse modo.
          O maior entre vós seja como o menor
          e aquele que manda seja como quem serve.
          Pois quem é o maior: o que está à mesa ou o que serve?
          Não é o que está à mesa?
          Ora Eu estou no meio de vós como aquele que serve.
          Vós estivestes sempre comigo nas minhas provações.
          E Eu preparo para vós um reino,
          como meu Pai o preparou para Mim:
          comereis e bebereis à minha mesa, no meu reino,
          e sentar-vos-eis em tronos,
          a julgar as doze tribos de Israel.
          Simão, Simão, Satanás vos reclamou
          para vos agitar na joeira como trigo.
          Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça.
          E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos».
N        Pedro respondeu-Lhe:
R        «Senhor, eu estou pronto a ir contigo,
          até para a prisão e para a morte».
N        Disse-lhe Jesus:
J        «Eu te digo, Pedro: não cantará hoje o galo,
          sem que tu, por três vezes, negues conhecer-Me».
N        Depois acrescentou:
J        «Quando vos enviei sem bolsa nem alforge nem sandálias,
          faltou-vos alguma coisa?».
N        Eles responderam que não lhes faltara nada.
          Disse-lhes Jesus:
J        «Mas agora, quem tiver uma bolsa pegue nela,
          bem como no alforge;
          e quem não tiver espada venda a capa e compre uma.
          Porque Eu vos digo
          que se deve cumprir em Mim o que está escrito:
          ‘Foi contado entre os malfeitores’.
          Na verdade, o que Me diz respeito está a chegar ao fim».
N        Eles disseram:
R        «Senhor, estão aqui duas espadas».
N        Mas Jesus respondeu:
J        «Basta».
N        Então saiu
          e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras
          e os discípulos acompanharam-n’O.
          Quando chegou ao local, disse-lhes:
J        «Orai, para não entrardes em tentação».
N        Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra
          e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo:
J        «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice.
          Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua».
N        Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar.
          Entrando em angústia, orava mais instantemente
          e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue,
          que caíam na terra.
          Depois de ter orado,
          levantou-Se e foi ter com os discípulos,
          que encontrou a dormir, por causa da tristeza.
          Disse-lhes Jesus:
J        «Porque estais a dormir?
          Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação».
N        Ainda Ele estava a falar,
          quando apareceu uma multidão de gente.
          O chamado Judas, um dos Doze, vinha à sua frente
          e aproximou-se de Jesus, para O beijar.
          Disse-lhe Jesus:
J        «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do homem?»
N        Ao verem o que ia suceder,
          os que estavam com Jesus perguntaram-Lhe:
R        «Senhor, vamos feri-los à espada?»
N        E um deles feriu o servo do sumo sacerdote,
          cortando-lhe a orelha direita.
          Mas Jesus interveio, dizendo:
J        «Basta! Deixai-os».
N        E, tocando na orelha do homem, curou-o.
          Disse então Jesus aos que tinham vindo ao seu encontro,
          príncipes dos sacerdotes, oficiais do templo e anciãos:
J        «Vós saístes com espadas e varapaus,
          como se viésseis ao encontro dum salteador.
          Eu estava todos os dias convosco no templo
          e não Me deitastes as mãos.
          Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.
N        Apoderaram-se então de Jesus,
          levaram-n’O e introduziram-n’O em casa do sumo sacerdote.
          Pedro seguia-os de longe.
          Acenderam uma fogueira no meio do pátio,
          sentaram-se em volta dela
          e Pedro foi sentar-se no meio deles.
          Ao vê-lo sentado ao lume,
          uma criada, fitando os olhos nele, disse:
R        «Este homem também andava com Jesus».
N        Mas Pedro negou:
R        «Não O conheço, mulher».
N        Pouco depois, disse outro, ao vê-lo:
R        «Tu também és um deles».
N        Mas Pedro disse:
R        «Homem, não sou».
N        Passada mais ou menos uma hora,
          afirmava outro com insistência:
R        «Esse homem, com certeza, também andava com Jesus,
          pois até é galileu».
N        Pedro respondeu:
R        «Homem, não sei o que dizes».
N        Nesse instante – ainda ele falava – um galo cantou.
          O Senhor voltou-Se e fitou os olhos em Pedro.
          Então Pedro lembrou-se da palavra do Senhor,
          quando lhe disse:
          ‘Antes do galo cantar, Me negarás três vezes’.
          E, saindo para fora, chorou amargamente.
          Entretanto, os homens que guardavam Jesus
          troçavam d’Ele e maltratavam-n’O.
          Cobrindo-Lhe o rosto, perguntavam-Lhe:
R        «Adivinha, profeta: Quem te bateu?»
N        E dirigiam-Lhe muitos outros insultos.
          Ao romper do dia,
          reuniu-se o conselho dos anciãos do povo,
          os príncipes dos sacerdotes e os escribas.
          Levaram-n’O ao seu tribunal e disseram-Lhe:
R        «Diz-nos se Tu és o Messias».
N        Jesus respondeu-lhes:
J        «Se Eu vos disser, não acreditareis
          e, se fizer alguma pergunta, não respondereis.
          Mas o Filho do homem sentar-Se-á doravante
          à direita do poder de Deus».
N        Disseram todos:
R        «Tu és então o Filho de Deus?»
N        Jesus respondeu-lhes:
J        «Vós mesmos dizeis que Eu sou».
N        Então exclamaram:
R        «Que necessidade temos ainda de testemunhas?
          Nós próprios o ouvimos da sua boca».
N        Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos.
N        Começaram a acusá-l’O, dizendo:
R        «Encontrámos este homem a sublevar o nosso povo,
          a impedir que se pagasse o tributo a César
          e dizendo ser o Messias-Rei».
N        Pilatos perguntou-Lhe:
R        «Tu és o Rei dos judeus?»
N        Jesus respondeu-lhe:
J        «Tu o dizes».
N        Pilatos disse aos príncipes dos sacerdotes e à multidão:
R        «Não encontro nada de culpável neste homem».
N        Mas eles insistiam:
R        «Amotina o povo, ensinando por toda a Judeia,
          desde a Galileia, onde começou, até aqui».
N        Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu;
          e, ao saber que era da jurisdição de Herodes,
          enviou-O a Herodes,
          que também estava nesses dias em Jerusalém.
          Ao ver Jesus, Herodes ficou muito satisfeito.
          Havia bastante tempo que O queria ver,
          pelo que ouvia dizer d’Ele,
          e esperava que fizesse algum milagre na sua presença.
          Fez-Lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu.
          Os príncipes dos sacerdotes e os escribas que lá estavam
          acusavam-n’O com insistência.
          Herodes, com os seus oficiais, tratou-O com desprezo
          e, por troça, mandou-O cobrir com um manto magnífico
          e remeteu-O a Pilatos.
          Herodes e Pilatos, que eram inimigos,
          ficaram amigos nesse dia.
          Pilatos convocou os príncipes dos sacerdotes,
          os chefes e o povo, e disse-lhes:
R        «Trouxestes este homem à minha presença
          como agitador do povo.
          Interroguei-O diante de vós
          e não encontrei n’Ele nenhum dos crimes de que O acusais.
          Herodes também não, uma vez que no-l’O mandou de novo.
          Como vedes, não praticou nada que mereça a morte.
          Vou, portanto, soltá-l’O, depois de O mandar castigar».
N        Pilatos tinha obrigação de lhes soltar um preso
          por ocasião da festa.
          E todos se puseram a gritar:
R        «Mata Esse e solta-nos Barrabás».
N        Barrabás tinha sido metido na cadeia
          por causa de uma insurreição desencadeada na cidade
          e por assassínio.
          De novo Pilatos lhes dirigiu a palavra,
          querendo libertar Jesus.
          Mas eles gritavam:
R        «Crucifica-O! Crucifica-O!»
N        Pilatos falou-lhes pela terceira vez:
R        Mas que mal fez este homem?
          Não encontrei n’Ele nenhum motivo de morte.
          Por isso vou soltá-l’O, depois de O mandar castigar».
N        Mas eles continuavam a gritar,
          pedindo que fosse crucificado,
          e os seus clamores aumentavam de violência.
          Então Pilatos decidiu fazer o que eles pediam:
          soltou aquele que fora metido na cadeia
          por insurreição e assassínio,
          como eles reclamavam,
          e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam.
N        Quando o conduziam,
          lançaram mão de um certo Simão de Cirene,
          que vinha do campo,
          e puseram-lhe a cruz às costas,
          para a levar atrás de Jesus.
          Seguia-O grande multidão de povo
          e mulheres que batiam no peito
          e se lamentavam, chorando por Ele.
          Mas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes:
J        «Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim;
          chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos;
          pois dias virão em que se dirá:
          ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram
          e os peitos que não amamentaram’.
          Começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós’;
          e às colinas: ‘Cobri-nos’.
          Porque, se tratam assim a madeira verde,
          que acontecerá à seca?».
N        Levavam ainda dois malfeitores
          para serem executados com Jesus.
          Quando chegaram ao lugar chamado Calvário,
          crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores,
          um à direita e outro à esquerda.
          Jesus dizia:
J        «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».
N        Depois deitaram sortes,
          para repartirem entre si as vestes de Jesus.
          O povo permanecia ali a observar.
          Por sua vez, os chefes zombavam e diziam:
R        «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo,
          se é o Messias de Deus, o Eleito».
N        Também os soldados troçavam d’Ele;
          aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:
R        «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo».
N        Por cima d’Ele havia um letreiro:
          «Este é o rei dos judeus».
          Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados
          insultava-O, dizendo:
R        «Não és Tu o Messias?
          Salva-Te a Ti mesmo e a nós também».
N        Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:
R        «Não temes a Deus,
          tu que sofres o mesmo suplício?
          Quanto a nós, fez-se justiça,
          pois recebemos o castigo das nossas más acções.
          Mas Ele nada praticou de condenável».
N        E acrescentou:
R        «Jesus, lembra-Te de mim,
          quando vieres com a tua realeza».
N        Jesus respondeu-lhe:
J        «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».
N        Era já quase meio-dia,
          quando as trevas cobriram toda a terra,
          até às três horas da tarde,
          porque o sol se tinha eclipsado.
          O véu do templo rasgou-se ao meio.
          E Jesus exclamou com voz forte:
J        «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito».
N        Dito isto, expirou.
N        Vendo o que sucedera,
          o centurião deu glória a Deus, dizendo:
R        «Realmente este homem era justo».
N        E toda a multidão que tinha assistido àquele espectáculo,
          ao ver o que se passava, regressava batendo no peito.
          Todos os conhecidos de Jesus,
          bem como as mulheres que O acompanhavam
          desde a Galileia,
          mantinham-se à distância, observando estas coisas.
N        Havia um homem chamado José, da cidade de Arimateia,
          que era pessoa recta e justa e esperava o reino de Deus.
          Era membro do Sinédrio, mas não tinha concordado
          com a decisão e o proceder dos outros.
          Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.
          E depois de o ter descido da cruz,
          envolveu-o num lençol
          e depositou-o num sepulcro escavado na rocha,
          onde ninguém ainda tinha sido sepultado.
          Era o dia da Preparação
          e começavam a aparecer as luzes do sábado.
          Entretanto,
          as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia
          acompanharam José e observaram o sepulcro
          e a maneira como fora depositado o corpo de Jesus.
          No regresso, prepararam aromas e perfumes.
          E no sábado guardaram o descanso, conforme o preceito.
(A morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do Reino: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam este mundo.
Podemos também dizer que a morte de Jesus é o culminar da sua vida; é a afirmação última, porém mais radical e mais verdadeira (porque marcada com sangue), daquilo que Jesus pregou com palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço.)


Palavas para o caminho

«Hossana! Crucifica-O!…» Gritos de alegria! Gritos de ódio!… A mesma multidão! E o nosso grito hoje? Somos discípulos de Jesus quando tudo vai bem… e prontos a negá-l’O quando nos sentimos comprometidos com Ele? Durante a Semana Santa, tomemos o tempo de parar com Paulo a fim de revivificar a nossa fé em “Cristo Jesus imagem de Deus… abaixando-Se até à morte de Cruz… elevado acima de tudo…”. Ousemos proclamá-lo pela nossa vida “Cristo e Senhor para a glória do Pai”! Vivamos a Semana Santa na oração e na contemplação de Jesus Cristo, a essência do nosso ser e da comunhão de irmãos em Igreja!


Desejo-vos um abençoado Domingo de Ramos.
Com o meu abraço na paz  de Cristo.
Ailime

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