02 abril 2011

25º Dia de Caminhada na Quaresma

Continuando a nossa caminhada quaresmal vamo-nos aproximando a passos largos da grande meta a que nos propusemos para, em grupo, cada um à sua maneira mas ao jeito de Jesus Cristo firmarmos a nossa Fé orando e meditando na Sua Palavra, reflectindo-a e pedindo ao Espírito Santo que nos fortaleça, para que com humildade e simplicidade nos nossos corações possamos prosseguir a nossa viagem com alegria sabendo-O um Deus presente e Omnipotente.

 Do: Evangelho de S. Lucas (18, 9-14)
Naquele tempo, Jesus disse também a seguinte parábola, a respeito de alguns que confiavam muito em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os demais:
«Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu e o outro, cobrador de impostos. 0 Fariseu, de pé, fazia interiormente esta oração: ”Ó Deus dou-te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros; nem como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.”
0 Cobrador de impostos, mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar os olhos ao céu; mas batia no peito, dizendo: “Deus tem piedade de mim, que sou pecador.” Digo-vos: Este voltou justificado para sua casa, e o outro não.
Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.»

(Sir.3,19-20)
«Muitos são os homens altivos e soberbos, mas é aos humildes que Deus revela os seus segredos.»

A parábola que o evangelho hoje nos apresenta é um verdadeiro dom de Deus, particularmente no tempo da Quaresma que estamos a viver. Com efeito, pode assaltar-nos a tentação de pensarmos que, com as práticas penitenciais que nos propusemos, e vamos praticando, somos melhores que os outros. Ceder a esta tentação, seria arruinar todo o bem que, com a graça do Senhor (é bom sempre lembrá-lo!), temos praticado.

(2 Cor. 13,11)
«Irmãos, vivei com alegria; trabalhai pela vossa perfeição; animai-vos uns aos outros; tende os mesmos sentimentos; vivei em paz. E o Deus do Amor e da paz estará convosco.»

Jesus aproxima-Se das pessoas com muita compreensão, com doçura e humildade. Ama as pessoas, como nos demonstra também na parábola do pai bom e do filho pródigo. As palavras do pai não são um sermão, não avançam queixas e muito menos acusações. Não é um debate e, muito menos, uma polémica. À humilde confissão do filho: "Pai pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho" (Lc 15, 21), o pai responde beijando-o e abraçando-o; apenas fala com o seu amor: "Depressa, trazei o vestido mais belo e vesti-lho, ponde-lhe o anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo, matai-o, comamo-lo e façamos festa... " (Lc 15, 22-23).”

Como o Senhor é bom e misericordioso e nunca abandona os que Nele crêem.

Salmo 50

Compadecei-vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.
Não é do sacrifício que vos agradais
e, se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis.
Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido:
não desprezareis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.
 
Pela vossa bondade, tratai Sião com benevolência,
reconstruí os muros de Jerusalém.
Então Vos agradareis dos sacrifícios devidos,
oblações e holocaustos,
então serão oferecidas vítimas sobre o vosso altar.


Prece:
Senhor, que pela Tua bondade infinita nos ofereceste o Teu Filho muito Amado para nos remir dos nossos pecados ajuda-me a que caminhe pelas Tuas veredas sendo fiel aos Teus Mandamentos, respeitando a Tua Palavra para que entendendo-a possa prosseguir o meu caminho dando um Testemunho fiel junto dos outros meus irmãos, principalmente dos mais necessitados.
Lembro aqui todos os doentes, os idosos tão esquecidos da nossa sociedade, os privados da liberdade, as vítimas da guerra e da fome e todos quantos estão a passar por momentos difíceis.
Peço-te perdão, Senhor, porque ainda não Te sei amar como só Tu mereces, mas conduz-me de modo a que em cada dia eu dê um passo, por mais pequenino que seja, para que caminhando Contigo eu possa merecer comungar da Páscoa da Tua Ressurreição.


Amanhã seguimos com a nossa amiga Lucinha, aqui:
 http://lucinhasdreamgarden.blogspot.com/


Ailime
02.04.2011
Textos de Apoio: Liturgia Diária
Dehonianos – Profetas do Amor
Http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_semanal_ver.asp? Liturgiaid=734
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27 março 2011

3º Domingo da Quaresma

A Palavra de Deus que hoje nos é proposta afirma, essencialmente, que o nosso Deus está sempre presente ao longo da nossa caminhada pela história e que só Ele nos oferece um horizonte de vida eterna, de realização plena, de felicidade perfeita.

In: Agência Ecclesia
aqui:http://www.ecclesia.pt/cgi-bin/comentario.pl?id=487

(Evangelho de S. João 4,5-42)

Jesus e a Samaritana

Naquele tempo,
chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar,
junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José,
onde estava a fonte de Jacob.
Jesus, cansado da caminhada, sentou Se à beira do poço.
Era por volta do meio dia.
Veio uma mulher da Samaria para tirar água.
Disse lhe Jesus: «Dá Me de beber».
Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos.
Respondeu -Lhe a samaritana:
«Como é que Tu, sendo judeu,
me pedes de beber, sendo eu samaritana?»
De facto, os judeus não se dão com os samaritanos.
Disse lhe Jesus:
«Se conhecesses o dom de Deus
e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’,
tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva».
Respondeu- Lhe a mulher:
«Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo:
donde Te vem a água viva?
Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob,
que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu,
com os seus filhos a os seus rebanhos?»
Disse Lhe Jesus:
«Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede.
Mas aquele que beber da água que Eu lhe der
nunca mais terá sede:
a água que Eu lhe der tornar se á nele uma nascente
que jorra para a vida eterna».
«Senhor, suplicou a mulher dá me dessa água,
para que eu não sinta mais sede
e não tenha de vir aqui buscá la».
Vejo que és profeta.
Os nossos pais adoraram neste monte
e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar».
Disse lhe Jesus:
«Mulher, podes acreditar em Mim:
Vai chegar a hora em que nem neste monte
nem em Jerusalém adorareis o Pai.
Vós adorais o que não conheceis;
nós adoramos o que conhecemos,
porque a salvação vem dos judeus.
Mas vai chegar a hora – e já chegou –
em que os verdadeiros adoradores
hão de adorar o Pai em espírito a verdade,
pois são esses os adoradores que o Pai deseja.
Deus é espírito
e os seus adoradores devem adorá l’O em espírito e verdade».
Disse Lhe a mulher:
«Eu sei que há de vir o Messias,
isto é, Aquele que chamam Cristo.
Quando vier há de anunciar nos todas as coisas».
Respondeu lhe Jesus:
«Sou Eu, que estou a falar contigo».
Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus,
por causa da palavra da mulher.
Quando os samaritanos vieram ao encontro de Jesus,
pediram Lhe que ficasse com eles.
E ficou lá dois dias.
Ao ouvi l’O, muitos acreditaram e diziam à mulher:
«Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos.
Nós próprios ouvimos
e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».
In: Bíblia  Sagrada

Ao comentar a liturgia do terceiro Domingo deste tempo favorável, o Papa Bento XVI ensina que: “O pedido de Jesus à Samaritana: “Dá-Me de beber” (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro Domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da “água a jorrar para a vida eterna” (v. 14): é o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos “verdadeiros adoradores” capazes de rezar ao Pai “em espírito e verdade” (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, “enquanto não repousar em Deus”, segundo as célebres palavras de Santo Agostinho”.
In: Rádio Vaticano
Ailime
27.03.2011
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20 março 2011

2º Domingo da Quaresma

No segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir: é o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projectos, da obediência total e radical aos planos do Pai.
(In: Agência Ecclesia)


 Do Evangelho de S. Mateus:17,1-9


«Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão
e levou os, em particular, a um alto monte
e transfigurou Se diante deles:
o seu rosto ficou resplandecente como o sol
e as suas vestes tornaram se brancas como a luz.
E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele.
Pedro disse a Jesus:
«Senhor, como é bom estarmos aqui!
Se quiseres, farei aqui três tendas:
uma para Ti, outra para Moisés a outra para Elias».
Ainda ele falava,
quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra
e da nuvem uma voz dizia:
«Este é o meu Filho muito amado,
no qual pus toda a minha complacência. Escutai O».
Ao ouvirem estas palavras,
os discípulos caíram de rosto por terra a assustaram se muito.
Então Jesus aproximou se e, tocando os, disse:
«Levantai vos e não temais».
Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.
Ao descerem do monte, Jesus deu lhes esta ordem:
«Não conteis a ninguém esta visão,
até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

Deus insiste em lembrar-nos neste tempo quaresmal que nos fixemos na Palavra de Seu Filho: "Escutai-O". Ontem como hoje era mais cómodo ficarmos no alto do monte em adoração como os discípulos propuseram a Jesus; mas é necessário descer à terra mudando radicalmente as nossas vidas, divulgar a Sua Palavra em acções concretas do nosso quotidiano.

Prece:
Senhor será que estou disposta a essa mudança? Será que me tenho conduzido por caminhos rectos?
Será que verdadeiramente tenho prestado atenção aos sinais com que me vais alertando para um autêntico caminho de conversão, oração e perdão?
Senhor, que tudo sabes, tudo conheces, ajuda-me a atravessar este imenso deserto onde ando mergulhada para que possa ser digna de Te merecer na Páscoa da Tua Ressurreição.

Ailime
20.03.2011
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16 março 2011

Caminhada da Quaresma - 8º Dia

“Nada temas, porque Eu te resgatei e te chamei pelo teu nome; tu és meu» (Is 43, 1)

Continuando a nossa Caminhada Quaresmal, tempo forte de conversão, propício a uma maior intimidade com Deus pela oração, no silêncio das nossas vidas, no meio dos nossos sofrimentos, tristezas e alegrias deixemos que Ele penetre bem dentro dos nossos corações, para melhor O acolhermos na Páscoa da Sua Ressurreição.
Lembrei-me de trazer á nossa caminhada S. Paulo, o Apóstolo da Conversão.
A conversão de S. Paulo marcou uma viragem na sua vida e na história de toda a humanidade.
A sua pregação incessante, os seus textos vigorosos, as longas viagens que efectuou, os sacrifícios pessoais que suportou deixaram-nos um enorme legado que ainda hoje são orientação fundamental para a Igreja:
S.Paulo diz que no caminho, já próximo de Damasco, se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do Céu e lhe apareceu Cristo Ressuscitado, que lhe disse: «Saulo, Saulo, porque Me persegues?» Saulo perguntou: «Quem és Tu, Senhor?» A voz respondeu: «Eu sou Jesus a quem tu persegues. Agora levanta-te, entra na cidade e aí te dirão o que deves fazer» (Act 9,1-7). Perseguindo os membros da Igreja, Paulo estava a perseguir Cristo que é a sua Cabeça.
Após o diálogo com Cristo Ressuscitado, Paulo, de perseguidor dos cristãos torna-se um homem novo, o mais ardente missionário do Evangelho.

Da: Carta de S. Paulo aos Filipenses 2,5-11
«Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus:
Ele, que é de condição divina, não considerou como usurpação ser igual a Deus;
no entanto esvaziou-se a si mesmo.
Tornando-se semelhante aos aos homens
e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem,
rebaixou-se a si mesmo,
tornando-se obediente atê à morte
e morte de cruz.
Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo
e lhe concedeu o nome
que está acima de todo o nome,
para que, ao nome de Jesus,
se dobrem os joelhos,
os dos seres que estão no céu,
na terra e debaixo da terra;
e toda a língua proclame
«Jesus Cristo é o Senhor!»
Para glória de Deus Pai.»

Que assim seja!

Ao jeito de S. Paulo que eu não me envergonhe, Senhor, de dar testemunho da Tua Palavra, não me fechando em mim mesma mas reconhecendo as minhas faltas, as minhas limitações, que só Tu, meu Deus e Senhor, com o Teu amor misericordioso poderás perdoar.

Amanhã continuamos a nossa caminhada com a amiga Lucinha aqui:
http://lucinhasdreamgarden.blogspot.com/
Ailime
16.03.2011
Textos de Apoio: Bíblia Sagrada (Capuchinhos)
São Paulo – Um Apelo à Conversão de Ronald D. Witherup
(Imagens da Net)

13 março 2011

1º Domingo de Quaresma

“Jesus esteve no deserto quarenta dias”.
Mc 1, 13
"Água e deserto, aliança e tentação, opostos incontornáveis
do caminho que nos propõe a Páscoa como meta.
Tensão criadora a agitar a cinza dos dias e a fragilidade da terra,
espaço sem limites das escolhas que nos realizam.
Água do nascer e do renascer que nos definem,
entre o “já” e o “ainda não” de grandeza e miséria,
“todos os dias são nossos”, como dizia o poeta,
mas é também nossa a coragem de espalhar a aurora
e levantar rostos cansados e abatidos.
Deserto do apelo ao essencial que é sempre tão pouco,
(um sorriso, um abraço, “um sair de mim e ser amor contigo”),
lugar onde a conversão vai além da penitência,
a alegria de dar é mergulhar na realidade de alguém,
os gestos ecoam a mudança que acontece no silêncio.

Água para a travessia do deserto,
e terra seca que pode reaprender a lição do barro,
este é o tempo de confiar nas mãos de Quem faz aliança connosco
e as oferece cada dia para revelar
o que é belo e teimamos em esconder,
o que é verdade e teimamos em desprezar,
o que é bom e teimamos em esquecer.

Jorram os rios de água viva dos nossos corações
a empapar os desertos, que podem ser os prédios e as ruas,
e as casas, e os trabalhos, e as compras, e até os divertimentos,
onde tantas solidões se acumulam?
Bebemos e mergulhamos nesta água que é Cristo,
e, como a samaritana, ensinamos o caminho da fonte?
Guardamos cisternas ou ajudamos os desertos a
descobrir a Fonte que neles está?"

Comentário às leituras do dia.
In "Agência Eccclésia,
À Procura da Palavra
pelo P. Vítor Gonçalves.
01.03.2009
(Reposição)
Ailime
13.03.2011
(Imagens da Net)

12 março 2011

Tsunami no Japão

Desde sempre que gosto de ler os salmos. São cânticos religiosos muito belos e todos eles contêm uma elevada espiritualidade que só Deus pode ter inspirado quem os compôs.
Este é um salmo de súplica com o qual se procura uma maior proximidade com o Deus da Vida e que partilho com todos vós a pensar em todos os nossos irmãos do Japão que neste momento estão a atravessar por momentos dolorosos e que precisam muito da nossa oração.
«Como suspira a corça pelas correntes das águas,
assim a minha alma suspira por ti, ó Deus!
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!
Quando poderei contemplar a face de Deus?
Dia e noite as lágrimas são o meu alimento,
porque a toda a hora me perguntam:
«Onde está o teu Deus?»
A minha alma estremece ao recordar
quando passava em cortejo para a Casa do Senhor,
entre vozes de alegria e de louvor
da multidão em festa.

Por que estás triste, minha alma, e por que te perturbas?
Confia em Deus: ainda o hei-de louvar.
Ele é o meu Deus e o meu salvador.

A minha alma está abatida
Por isso, penso muito em ti,
desde as terras do Jordão e dos montes Hermon e Miçar.
De abismo em abismo ressoa
o fragor das águas revoltas;
as tuas vagas e torrentes passaram sobre mim.
Durante o dia, o SENHOR há-de enviar-me os seus favores,
para que eu reze e cante, à noite, ao Deus que me dá vida.

Quero dizer a Deus: «Tu és o meu protector,
por que te esqueces de mim?
Por que hei-de andar triste sob a opressão do inimigo?»
Quebram-se os meus ossos,
quando os inimigos me insultam
e repetem a toda a hora:
«Onde está o teu Deus?»

Por que estás triste, minha alma, e por que te perturbas?
Confia em Deus: ainda o hei-de louvar.
Ele é o meu Deus e o meu salvador.»


In: Bíblia Sagrada (Bíblia dos Capuchinhos)
Imagens cedidas gentilmente pela Net

Ailime
12.03.2011

09 março 2011

Quarta-Feira de Cinzas

Hoje, Quarta-Feira de Cinzas, os cristãos iniciam o seu Tempo Quaresmal, tempo litúrgico de grande intensidade espiritual.

Com a imposição das cinzas, inicia-se um tempo particularmente relevante para todo o cristão que pretende preparar-se dignamente para viver o Mistério Pascal, ou seja, a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Este tempo intenso do Ano litúrgico caracteriza-se pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: "Convertei-vos". Este dever é proposto aos fiéis mediante o rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras "Convertei-vos e crede no Evangelho" e com a expressão "Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás", convida a todos a reflectir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efémera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.

A cerimónia das cinzas eleva as nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus: princípio e fim, alfa e ómega da nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz imperecível da Sua Verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais límpida do facto de que estamos de passagem sobre a terra e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até ao final, a fim de que o Reino de Deus se instale em nós e triunfe na sua justiça.

Sinónimo de "conversão", é mesmo a palavra "penitência" … Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão livre no objectivo no seguimento de Cristo.

Tradição

Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa. Tal só dava com efeito 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para se comparar ao jejum de Jesus no deserto. Era costume em Roma que os praticantes começassem a sua penitência pública no primeiro dia de Quaresma. Eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reconciliassem com a Igreja na Quinta – ou a Sexta-Feira Santa antes da Páscoa.

Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da época penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando-se cinzas nas cabeças de toda a assembleia, tornando-se prática comum até aos dias de hoje.

(Texto adaptado)
Imagem cedida pela Net
Ailime
09.03.2011