A própria essência da história é
o passar. Há trezentos anos,
vivia nesta cidade uma geração
com os seus dramas e paixões.
Há duzentos anos outra geração,
com os seus próprios dramas.
Agora outra.
Dentro de um século, outra.
Passam as gerações, arrastando cada
uma suas dores e alegrias
para o abismo do silêncio.
Um dia também passará a cidade,
levando aos ombros a sua carga
histórica, como aconteceu com
Babilónia, Nínive, Tebas...
Ilusões, paixões, fantasias, projetos...
Tudo isto é inexoravelmente arrastado
para o oceano da inexistência.
Para quê sofrer por coisas que
hoje são e amanhã não são?
Tudo é sepultado no templo
do silêncio, tal como os rios
são sepultados no mar.
Deixa que os fenómenos nasçam.
brilhem e desapareçam como os
pirilampos. Deus nunca passa.
Instala-se firmemente nessa rocha e...
Sê feliz.
In O Sentido da Vida
Ignacio Larragñaga