10 abril 2009

Por nosso amor


Hoje, sexta-feira Santa é o "dia da paixão e da crucificação do Senhor".

Por nosso amor amor, morreu o Senhor

Numa Cruz morreu o Senhor,

Recomendou dar a vida e a vida como irmãos

Em sinal de amor.



Planearam a Sua morte em silêncio,

Assustaram com gritos o povo.

E num lenho pregaram Seu Corpo

À hora da noa, à hora da noa;

O Senhor, O Senhor morreu.

O Senhor morreu.



É hora de noa na terra,

As sirenes de alarme soaram,

Mas ninguém se dedica a acordar

E o meu irmão chora, e o meu irmão morre;

E o clamor da sua voz não nos dói.

E o meu irmão morre.



É hora de noa na terra,

É hora da fome e da morte,

É hora do ódio e da guerra,

É hora de noa, quando sofre o meu povo,

Quando sofre o meu povo,

Quando cresce a dor e o engano,

Quando falta o amor.
******
Ontem, quinta feira Santa, a Igreja comemorou "a instituição da Eucaristia, o sacerdócio ministerial e o mandamento novo -mandatum novum- da caridade, deixado por Jesus a seus discípulos". Este dia "constitui, portanto, um convite renovado a dar graças a Deus pelo dom supremo da Eucaristia, que se deve acolher com devoção e adorar com fé viva".
Palavras de S.S. o Papa Bento XVI.

Também durante a missa da Última Ceia ocorre a cerimónia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus, quando lavou os pés dos seus apóstolos.

07 abril 2009

A Paixão de Cristo na poesia

Após uma pesquisa que efectuei na Net encontrei esta colectânea de excertos de poemas de poetas portugueses, que considero verdadeiras pérolas sobre a Paixão de Cristo e que partilho com todos vós:

"Autores portugueses encontraram inspiração nos passos dolorosos da vida de Jesus.
Na história da poesia portuguesa são muitos os autores que calcorreiam com o leitor os passos dolorosos da vida de Jesus. A sinfonia das suas palavras transportam-nos para o mistério da cruz.

A inspiração de vários poetas mostra o olhar sofredor da Mãe que segura e chora o seu Filho:

«Vejo-te ainda, Mãe, de olhar parado,
Da Pedra e da tristeza, no teu canto,
Comigo ao colo, morto e nu, gelado
Embrulhado nas dobras do teu mando»
(Torga, Miguel)

«
Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa…
E deixa-me sonhar a vida inteira»
(Quental, Antero de)

«Oh Virgem de Nazaré,
Oh Mãe de Jesus
Lírio aberto aos pés da cruz,
Cujas pétalas de luz
Vertem lágrimas de fé» (Conde de Monsaraz, [Papança, António Macedo])

«Junto da cruz, que estremecia ao vê-la
Chorou, baixinho, a Mater Dolorosa:
E a terra, em volta, soluçou com ela» (Oliveira, António Correia de)
O Sinédrio decretara a Sua morte. Nestes passos dramáticos em direcção à humilhação, Jesus prepara-se para a doação total. Os doze esperam com ânsia uma palavra do Mestre.
«Levanta as mãos ao Céu vasto e piedoso
Vara-lhe o seio tenebroso espinho
Caem gotas, de sangue precioso,
De suor, nas violetas do caminho» (Leal, A. Gomes)

Mesmo de poetas descrentes, a beleza da sua linguagem expõe um sentimento religioso. Ao longo dos séculos, a Paixão e Morte de Cristo são fonte inspiradora da poesia. Luis de Camões – uma das almas lusitanas – tem elegias onde canta a Paixão do Filho do Homem.
«Aquele corpo tenro e delicado,
Sobre todos os santos sacrossanto,
De açoutes rigorosos flagelados» (Camões, Luís)

O poeta limiano, Diogo Bernardes considera-se culpado daquela morte. A luminosidade das suas palavras como que formalizam um pedido de desculpas. O lirismo religioso deste poeta do século XVI é marcado pela sinceridade.
«Eu vos crucifiquei, eu vos vendi,
Eu vos neguei mil vezes, que não três
Eu fui o que esse lado vos abri!» …
«Por eles (os meus pecados), meu senhor, te vejo estar
Crucificado nesse duro lenho» (Bernardes, Diogo)

Partindo das palavras do Evangelho de S. João (19, 1-3), o poeta da Arrábida ilustra a paixão de Jesus com a luminosidade de um místico. Frei Agostinho da Cruz assume a culpa do sofrimento e morte de Jesus.
«Eu fui, eu sou Senhor, o que vos pus
Nesse duro madeiro pendurado,
Donde morreis por mim, doce Jesus» (Cruz, Frei Agostinho)

Quando medita nas chagas de Cristo, Diogo Bernardes pede mesmo à sua alma que, por amor delas, se arrependa dos seus pecados e dê início a uma vida nova.
«Quando meus olhos nessas chagas ponho
E não me vejo em lágrimas banhado
Corrido fico, todo me envergonho» (Bernardes, Diogo)

José Régio aborda os últimos passos de Jesus num registo diferente. Lamenta ter nascido tarde, mas considera que Ele foi crucificado pelos homens.
«Por isso choro em mim a mágoa verdadeira
De ter nascido tarde, e só te vir achar,
Feito em marfim, metal, pedra madeira,
No cimo dum altar»
……
«O Cristo, ao alto, alonga os magros braços nus
Por sobre a escuridão do rancho desolado
Que segue, ao som da marcha, o seu Jesus
Por nós crucificado» (Régio, José)

Preso e atado à cruz, a multidão gritava: Crucifica, crucifica. A humilhação estava patente naquele rosto. André Dias explica a crueldade daquela morte. Este poeta dos séculos XIV e XV (1348-1437) coloca nas suas palavras a injustiça daquele tribunal.
«E todos bradavam com grande voz e alta:
- Crucifica! Crucifica este falso profeta
E morra sobre a cruz morte cruel e feia,
Que jamais não engane toda a nossa gente» (Dias, André)

Depois de saber que tudo estava consumado, Jesus disse: «Tenho sede». Teve como bebida, o amargo vinagre.
«Mas tem sede o Rabi. Um, mais cruel,
uma esponja, em caniço pontiagudo,
toda em fel ensopou. – Ora, este fel
amarga mais o mestre do que tudo» (Leal, A. Gomes)

Do alto da cruz, os seus olhos sem brilho contemplavam Jerusalém. Após ter tomado o vinagre, Jesus exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, rendeu o Espírito.
«Filhos de Cristo, consumou-se agora
O horrendo crime de Israel, na cruz.
Trémula se abre a terra; o sol descora
A igreja chora, - que morreu Jesus» (Ribeiro, Tomás)

A noite ia tombando de hora a hora cheia de assombro e cósmica tristeza. Esta morte foi vida. Foi um rasgão no tempo.
«Tu morreste por nós na cruz da afronta
E o sangue derradeiro
Derramaste do alto do madeiro,
Jesus, filho de Deus, Deus Verdadeiro
Aos crimes do homem não lançaste a conta
Inocente cordeiro
Quando foste no alto do madeiro
Lavar com sangue o último e o primeiro» (Garret, Almeida.)

Com a morte e ressurreição, a lanterna da vida brilha e alimenta a árvore frondosa do cristianismo.
«Meu Deus, aqui me tens aflito e retirado
Como quem deixa à porta o saco para o pão.
Enche-o do que quiseres. Estou firme e preparado.
O que for, assim seja, à tua mão
Tua vontade se faça, a minha não» (Nemésio, Vitorino) "

In "Agência Ecclesia"
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=71679&seccaoid=8&tipoid=127

31 março 2009

Salmo 22 (21) A PAIXÃO DO JUSTO (Is 53)

Salmo de David

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste,
rejeitando o meu lamento, o meu grito de socorro?

Meu Deus, clamo por ti durante o dia e não me respondes;
durante a noite, e não tenho sossego.
Tu, porém, és o Santo

e habitas na glória de Israel.
Em ti confiaram os nossos pais;

confiaram e Tu os libertaste.
A ti clamaram e foram salvos;

confiaram em ti e não foram confundidos.
Eu, porém, sou um verme e não um homem,
o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe.

Todos os que me vêem escarnecem de mim;
estendem os lábios e abanam a cabeça.

«Confiou no SENHOR, Ele que o livre;
Ele que o salve, já que é seu amigo.»

Na verdade, Tu me tiraste do seio materno;
puseste-me em segurança ao peito de minha mãe.

Pertenço-te desde o ventre materno;
desde o seio de minha mãe, Tu és o meu Deus.

Não te afastes de mim, porque estou atribulado
e não há quem me ajude.

Rodeiam-me touros em manada;
cercam-me touros ferozes de Basan.

Abrem contra mim as suas fauces,
como leão que despedaça e ruge.

Fui derramado como água;
e todos os meus ossos se desconjuntaram;

o meu coração tornou-se como cera
e derreteu-se dentro do meu peito.

A minha garganta secou-se como barro cozido
e a minha língua pegou-se-me ao céu da boca;
reduziste-me ao pó da sepultura.

Estou rodeado por matilhas de cães,
envolvido por um bando de malfeitores;
trespassaram as minhas mãos e os meus pés:

posso contar todos os meus ossos.
Eles olham para mim cheios de espanto!

Repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam a minha túnica.

Mas Tu, SENHOR, não te afastes de mim!
És o meu auxílio: vem socorrer-me depressa!

Livra a minha alma da espada,
e, das garras dos cães, a minha vida.

Salva-me da boca dos leões;
livra-me dos chifres dos búfalos.

Então anunciarei o teu nome aos meus irmãos
e te louvarei no meio da assembleia.

Vós, que temeis o SENHOR, louvai-o!
Glorificai-o, descendentes de Jacob!
Reverenciai-o, descendentes de Israel!

Pois Ele não desprezou nem desdenhou a aflição do pobre,
nem desviou dele a sua face;
mas ouviu-o, quando lhe pediu socorro.
De ti vem o meu louvor na grande assembleia;
cumprirei os meus votos na presença dos teus fiéis.

Os pobres comerão e serão saciados;
louvarão o SENHOR, os que o procuram.
«Vivam para sempre os vossos corações.»

Hão-de lembrar-se do SENHOR e voltar-se para Ele
todos os confins da terra;
hão-de prostrar-se diante dele
todos os povos e nações,

porque ao SENHOR pertence a realeza.
Ele domina sobre todas as nações.

Diante dele hão-de prostrar-se todos os grandes da terra;
diante dele hão-de inclinar-se todos os que descem ao pó
e assim deixam de viver.

Uma nova geração o servirá
e narrará aos vindouros as maravilhas do Senhor;

ao povo que vai nascer dará a conhecer a sua justiça,
contará o que Ele fez.


In "Bíblia Sagrada"
Imagem obtida na Net

27 março 2009

“QUARESMA - Tempo de jejum?


Recebi esta mensagem de uma amiga e não resisti a partilhá-la com todos vós:

“QUARESMA
Tempo de jejum?

A Quaresma deverá ser um tempo para “jejuar” alegremente de certas coisas e também para “fazer festa” de outras.

Neste tempo deveremos:

- Jejuar de julgar os outros e festejar porque Deus habita neles.

- Jejuar do fixarmo-nos sempre nas diferenças e fazer festa por aquilo que nos une na vida.

- Jejuar das trevas da tristeza e celebrar a luz.

- Jejuar de pensamentos e palavras doentias e alegrarmo-nos com palavras carinhosas e edificantes.

- Jejuar de desilusões e festejar a gratidão.

- Jejuar do ódio e festejar a paciência santificadora.

- Jejuar de pessimismos e viver a vida com optimismo como uma festa contínua.

-Jejuar de preocupações, queixas e egoísmos; festejar a esperança e a Divina Providência.

- Jejuar de pressas e angústias;
fazer festa em oração contínua à Verdade Eterna!

QUARESMA tempo de encontro com Deus.”

Votos de continuação de uma Santa Quaresma.
Foto obtida na Net
Ailime
27.03.09

21 março 2009

Acompanho-Te


Acompanho-Te nesta solidão, pelo abandono dos que Te traíram.

Sigo-Te, porque quero percorrer Contigo o caminho do sofrimento.

Não Te quero abandonar, para aprender a olhar o mundo do Alto da Tua
Cruz.

(Ailime, em 21.03.09)

14 março 2009

Conversão e Renovação

A liturgia do 3º Domingo da Quaresma dá-nos conta da eterna preocupação de Deus em conduzir os homens ao encontro da vida nova. Nesse sentido, a Palavra de Deus que nos é proposta apresenta sugestões diversas de conversão e de renovação.

Na primeira leitura, Deus oferece-nos um conjunto de indicações (“mandamentos”) que devem balizar a nossa caminhada pela vida. São indicações que dizem respeito às duas dimensões fundamentais da nossa existência:


a nossa relação com Deus e
a nossa relação com os irmãos.


Na segunda leitura, o apóstolo Paulo sugere-nos uma conversão à lógica de Deus… É preciso que descubramos que a salvação, a vida plena, a felicidade sem fim não está numa lógica de poder, de autoridade, de riqueza, de importância, mas está na lógica da cruz – isto é, no amor total, no dom da vida até às últimas consequências, no serviço simples e humilde aos irmãos.

No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o “Novo Templo” onde Deus Se revela aos homens e lhes oferece o seu amor.
Convida-nos a olhar para Jesus e a descobrir nas suas indicações, no seu anúncio, no seu “Evangelho” essa proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar.

In "Agência Ecclesia"
(Imagem obtida na Net)

07 março 2009

Chamo-Te


Em tempo de Quaresma, clamo por Ti, Senhor!

“Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.”

De:
Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem obtida na Net

01 março 2009

1º Domingo da Quaresma


“Jesus esteve no deserto quarenta dias”.
Mc 1, 13

"Água e deserto, aliança e tentação, opostos incontornáveis
do caminho que nos propõe a Páscoa como meta.
Tensão criadora a agitar a cinza dos dias e a fragilidade da terra,
espaço sem limites das escolhas que nos realizam.
Água do nascer e do renascer que nos definem,
entre o “já” e o “ainda não” de grandeza e miséria,
“todos os dias são nossos”, como dizia o poeta,
mas é também nossa a coragem de espalhar a aurora
e levantar rostos cansados e abatidos.
Deserto do apelo ao essencial que é sempre tão pouco,
(um sorriso, um abraço, “um sair de mim e ser amor contigo”),
lugar onde a conversão vai além da penitência,
a alegria de dar é mergulhar na realidade de alguém,
os gestos ecoam a mudança que acontece no silêncio.

Água para a travessia do deserto,
e terra seca que pode reaprender a lição do barro,
este é o tempo de confiar nas mãos de Quem faz aliança connosco
e as oferece cada dia para revelar
o que é belo e teimamos em esconder,
o que é verdade e teimamos em desprezar,
o que é bom e teimamos em esquecer.

Jorram os rios de água viva dos nossos corações
a empapar os desertos, que podem ser os prédios e as ruas,
e as casas, e os trabalhos, e as compras, e até os divertimentos,
onde tantas solidões se acumulam?
Bebemos e mergulhamos nesta água que é Cristo,
e, como a samaritana, ensinamos o caminho da fonte?
Guardamos cisternas ou ajudamos os desertos a
descobrir a Fonte que neles está?"

Comentário às leituras do dia.
In "Agência Eccclésia,
À Procura da Palavra
P. Vítor Gonçalves.
01.03.2009