14 março 2009

Conversão e Renovação

A liturgia do 3º Domingo da Quaresma dá-nos conta da eterna preocupação de Deus em conduzir os homens ao encontro da vida nova. Nesse sentido, a Palavra de Deus que nos é proposta apresenta sugestões diversas de conversão e de renovação.

Na primeira leitura, Deus oferece-nos um conjunto de indicações (“mandamentos”) que devem balizar a nossa caminhada pela vida. São indicações que dizem respeito às duas dimensões fundamentais da nossa existência:


a nossa relação com Deus e
a nossa relação com os irmãos.


Na segunda leitura, o apóstolo Paulo sugere-nos uma conversão à lógica de Deus… É preciso que descubramos que a salvação, a vida plena, a felicidade sem fim não está numa lógica de poder, de autoridade, de riqueza, de importância, mas está na lógica da cruz – isto é, no amor total, no dom da vida até às últimas consequências, no serviço simples e humilde aos irmãos.

No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o “Novo Templo” onde Deus Se revela aos homens e lhes oferece o seu amor.
Convida-nos a olhar para Jesus e a descobrir nas suas indicações, no seu anúncio, no seu “Evangelho” essa proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar.

In "Agência Ecclesia"
(Imagem obtida na Net)

07 março 2009

Chamo-Te


Em tempo de Quaresma, clamo por Ti, Senhor!

“Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.”

De:
Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem obtida na Net

01 março 2009

1º Domingo da Quaresma


“Jesus esteve no deserto quarenta dias”.
Mc 1, 13

"Água e deserto, aliança e tentação, opostos incontornáveis
do caminho que nos propõe a Páscoa como meta.
Tensão criadora a agitar a cinza dos dias e a fragilidade da terra,
espaço sem limites das escolhas que nos realizam.
Água do nascer e do renascer que nos definem,
entre o “já” e o “ainda não” de grandeza e miséria,
“todos os dias são nossos”, como dizia o poeta,
mas é também nossa a coragem de espalhar a aurora
e levantar rostos cansados e abatidos.
Deserto do apelo ao essencial que é sempre tão pouco,
(um sorriso, um abraço, “um sair de mim e ser amor contigo”),
lugar onde a conversão vai além da penitência,
a alegria de dar é mergulhar na realidade de alguém,
os gestos ecoam a mudança que acontece no silêncio.

Água para a travessia do deserto,
e terra seca que pode reaprender a lição do barro,
este é o tempo de confiar nas mãos de Quem faz aliança connosco
e as oferece cada dia para revelar
o que é belo e teimamos em esconder,
o que é verdade e teimamos em desprezar,
o que é bom e teimamos em esquecer.

Jorram os rios de água viva dos nossos corações
a empapar os desertos, que podem ser os prédios e as ruas,
e as casas, e os trabalhos, e as compras, e até os divertimentos,
onde tantas solidões se acumulam?
Bebemos e mergulhamos nesta água que é Cristo,
e, como a samaritana, ensinamos o caminho da fonte?
Guardamos cisternas ou ajudamos os desertos a
descobrir a Fonte que neles está?"

Comentário às leituras do dia.
In "Agência Eccclésia,
À Procura da Palavra
P. Vítor Gonçalves.
01.03.2009

26 fevereiro 2009

Quarta Feira de Cinzas

Ontem, Quarta-Feira de Cinzas, os cristãos iniciaram o seu Tempo Quaresmal, tempo litúrgico de grande intensidade espiritual.

Com a imposição das cinzas, inicia-se um tempo particularmente relevante para todo o cristão que pretende preparar-se dignamente para viver o Mistério Pascal, ou seja, a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Este tempo intenso do Ano litúrgico caracteriza-se pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: "Convertei-vos". Este dever é proposto aos fiéis mediante o rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras "Convertei-vos e crede no Evangelho" e com a expressão "Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás", convida a todos a reflectir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efémera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.


A cerimónia das cinzas eleva as nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus: princípio e fim, alfa e ómega da nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz imperecível da Sua Verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais límpida do facto de que estamos de passagem sobre a terra e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até ao final, a fim de que o Reino de Deus se instale em nós e triunfe na sua justiça.
Sinónimo de "conversão", é mesmo a palavra "penitência" … Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão livre no objectivo no seguimento de Cristo.


Tradição

Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa. Tal só dava com efeito 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para se comparar ao jejum de Jesus no deserto. Era costume em Roma que os praticantes começassem a sua penitência pública no primeiro dia de Quaresma. Eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reconciliassem com a Igreja na Quinta – ou a Sexta-Feira Santa antes da Páscoa.
Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da época penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando-se cinzas nas cabeças de toda a assembleia, tornando-se prática comum até aos dias de hoje.


(Texto adaptado)

21 fevereiro 2009

A serenidade em mim (?)


Amo a vida, o sol e os afectos;
Semeio-os nas intempéries do ocaso
E refugio-me num beijo ao infinito,
Reconciliando em mim a quietude.

Em névoas e penumbras
Navego todo o meu sentir,
Idealizando alvas madrugadas
De alvoreceres mui tardios.

Abraço o anoitecer
De silêncio feito paz
E repouso o desalento,
Em sonhos tecidos de auroras.


Marés rebeldes me cingem,
Mares crespados me assolam;
Imagino a serenidade dos afectos
Mimando a minh’ alma inquieta.


Ailime, em 21.02.2009
(revisto em 22.02.2009)
Imagem obtida na Net


14 fevereiro 2009

Semeando flores...

"Pratica o não fazer,

aspira a não aspirar,

saboreia o sem sabor,

vê o pequeno como importante,

faz do pouco muito,

repara a inimizade com a virtude;

planeia para as dificuldades

quando ainda te é fácil,

cria o grande

quando ainda é pequeno. "

(Autor: Lao Tsé (Século VI A. C.)

08 fevereiro 2009

Cântico do Amor

A Igreja Católica proclamou o Ano Paulino (28.06.2008 – 28.06.2009) para celebrar os 2000 anos do nascimento de S. Paulo, que os historiadores situam entre os anos 7 e 10 d. C.
S. Paulo foi considerado um dos apóstolos que mais terá contribuído para a expansão da fé cristã.
Deixo-vos este Hino ao Amor, de S. Paulo, considerado “a mais bela página
do Apóstolo”.

“Ainda que eu fale as línguas
dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, sou como um

bronze que ressoa
ou como um címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da
profecia
e conheça todos os mistérios e
toda a ciência,
ainda que possua a fé em plenitude,
a ponto de transportar montanhas,
se não tiver amor, nada sou.
Ainda que distribua todos os
meus bens
e entregue o meu corpo
para ser queimado,
se não tiver amor, de nada me
aproveita.

O amor é paciente,
O amor é benigno,
não é invejoso;
o amor não é arrogante, nem orgulhoso,
nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio
interesse,
não se irrita nem guarda
ressentimento.
Não se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência findará.
Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito será abolido.
No tempo em que eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.

Agora vemos como num espelho,
de maneira confusa,
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora permanecem estas três coisas:
a , a esperança e o amor,
mas a maior de todas é o AMOR”.

In”Bíblia Sagrada”
(1ª Carta de São Paulo aos Coríntios, 13)